Eluana Englaro: Eutanásia ou simplesmente o curso da vida...

Eluana Englaro, era uma jovem italiana, que, como toda a gente sabe, recentemente esteve no centro das atenções, devido à sua morte!. A jovem, que tinha 38 anos, passou 17 deles num estado vegetativo, que não é igual ao estado de coma, segundo alguns artigos que lí sobre este assunto, devido a um accidente de automovel ocorrido em 1992. Recentemente um tribunal italiano decretou aquilo que a familia há muito esperava: que a deixassem morrer. Logo se levantaram as vozes da discordância, com o Vaticano, sempre ele, à cabeça de todos os protestos, por causa dos valores da Vida e afins... Até Sílvio Berlusconi, primeiro ministro italiano, tentou de todas as formas evitar o fim do sofrimento daquela familia, sim, porque o dela já há muito que tinha terminado, se calhar até na altura do accidente, até mesmo tentado mudar a lei para que os médicos fossem obrigados a alimentar e a hidratar a rapariga.
Não sei se pode considerar justo. Eu sou da opinião que sim. Pareceu-me esta decisão, a melhor maneira de se honrar uma jovem, que teve o azar de sofrer um accidente que a colocou num estado em que nem está viva, nem está morta. Falar de eutanâsia neste assunto, não sei se será o mais acertado. O entendimento que tenho dessa palavra, leva-me a pensar que não está bem aplicada neste caso. Sou da opinião de que Eluana, já tinha morrido à 17 anos atras. O seu estado desde o dia em que sofreu o accidente, é completamente dependente de uma máquina, que lhe dava a vida. Logo não se pode falar de vida na verdadeira acepção da palavra.
Aquilo que o Vaticano tentou fazer, a lavagem cerebral a que já nos habitou, é sempre o mesmo. Enquanto fazia buscas no Google, para me documentar melhor sobre este caso, encontrei um artigo, em espanhol que tinha uma passagem do Concelho Pontificio para a Familia do Vaticano, que é hilariante no minímo: "Eluana está em estado vegetativo, mas não é um vegetal. É uma pessoa que está a dormir. A pessoa, mesmo neste estado mantém a sua dignidade. A pessoa é valiosa por sí mesma, não pelo que consome ou produz ou pelo prazer e satisfação que pode dar aos outros".
Ao ler esta passagem, confesso que me ri, porque não deixa de ser ilustrativa de uma lavagem cerebral do género das grandes policias partidarias do tempo das ditaduras. Eluana dormia. O Vaticano queria prolongar uma "vida", causando sofrimento aos pais, que todos os dias viam o óbvio: Infelizmente aquele seria o estado de Eluana até que por qualquer obra do destino, nem a máquina lhe conseguisse prolongar a vida. Não há diginidade nenhuma neste estado. Há que se ser frontal e deixar-se de politiquices: Eluana morreu no dia em que sofreu o accidente, infelizmente como é claro. Todo este longo percurso de 17 anos a debater se ela deveria ou não "morrer" efectivamente, não deve ter causado mais do que sofrimento e dor, mesmo à própria alma da Eluana, assim como aos pais e familiares.






1 Comentários:
Olá!
Como viste e comentaste no meu blogue, a minha opinião a este repeito é semelhante à tua.
A respeito do Vaticano nem comento... cada vez mais, em termos pessoais, acredito em Deus, tenho a minha fé, mas cada vez me afasto mais desses que se intitulam seus representantes, pois não o são. A Igreja Católica, à semelhança de todas as igrejas e todos os fanatismos, chega a ser assustadoramente estúpida e, também, medonha.
Acho que a eutanásia é um assunto para se debater longamente, com respeito, bom-senso e humanidade.
Neste momento, penso nos pais da Eluana... na culpa que uma sociedade inteira lhes quer atirar para as costas,apesar do sofrimento que eles sentem com a derradeira despedida da filha e do sofrimento que viveram, a sofrer com ela e por ela, estes anos todos... E espero que tenham com eles amigos que os saibam apoiar e força para continuar a lutar e a viver.
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