Outra vez as praxes.....

Eu fui (e ainda sou, porque não terminei o meu curso) estudante universitário e, nunca tive particular gosto pelas praxes académicas, pois acho que elas apenas servem para ridicularizar os alunos que entram.
Todos os inícios de anos lectivos, há sempre uma ou outra notícia de excessos e de queixas de alunos que caem em saco roto. Hoje lia o Global e deparei-me com uma notícia sobre uma queixa feita na Universidade de Evora, por alguns alunos e funcionários, sobre o facto de terem que rastejar por cima de escrementos.
O Reitor da Universidade, fez o seu trabalho e emitiu um despacho que probia as praxes dentro da faculdade. O Presidente da Associação de estudantes, célere na defesa do seu "ritual" apressou-se a dizer que "Sabemos disso, mas vamos continuar a fazê-las, nem que seja fora da universidade. Esta é uma manifestação cultural que deve ser respeitada. Admito que há abusos casuais mas esses não têm lugar no nosso conceito de praxe, sou contra excessos, e uma praxe bem feita, respeita as pessoas, integra, é esse o objectivo."
Ora, analisando as declarações deste PResidente da AE, chego à conclusão de que o homem se contradiz. Se por um lado concordo que uma praxe bem feita respeite e integre as pessoas, por outro, não posso deixar de perguntar, onde é que rastejar por cima de escrementos é respeitar alguém? Depois, "Manifestação Cultural? Rastejar por cima de bosta é cultural? desde quando? Será que ele rastejou por cima de bosta? Será que ele explicou aos caloiros a melhor forma de o fazer? Depois a atitude prepotente do dito senhor: Sabemos disso, mas vamos continuar a fazÊ-las nem que seja fora da Universidade... Só vai quem quer. O problema é que depois aqui entra a chantagem emocional, do género "se não vais à praxe, não vais poder usar o traje académico", "se não fores à praxe, seras declarado anti-praxe e ninguém te vai ajudar em nada, serás um zero" e os alunos sentem-se obrigados a ir, pois senão sentir-se-ão excluidos do grupo. Agora, alguém me diga.. Onde é que isto é respeitar e integrar as pessoas?
Há inúmeros casos de pessoas que morreram devido a praxes. Durante a perpretação do acto, depois de serem envergonhados à frente de todos os restantes alunos.
A praxe devería ser sim, um ritual de integração do aluno. E não é. Já tinha escrito sobre isto no outro blog, quando ele estava alojado no Sapo, devido aos maus tratos que alguns alunos sofreram num tribunal de praxe na Universidade de Coimbra. Nódoas negras, lesões a nível genital, tesouras espetadas no crânio, tudo em nome do "companheirismo e da aceitação" podía ler-se no referido texto. É só seguir o link..
Não gosto das praxes, porque não têm o significado que deveriam ter. Continuo a ver muitos grupos de Universidades a perpetrarem este ritual, sempre com pessoas que têm a mania, com ar de superioridade, obrigando os outros a nem sequer olharem nos olhos quando lhes falam, porque caloiro deve olhar para o chão, enfim, um rol de coisas que não são nada dignas de pessoas que iniciam a vida académica.
O mais engraçado é que ninguém leva isto a sério e, ano após ano, algumas barbaridades vão-se sucedendo, ficando todos impunes, o que leva a que outros não se defendam e calem as ofensas que sofrem, pois nada é feito para parar com este género de "massacre" que por vezes acontece nas Universidades do país.
Etiquetas: Escrementos, Praxes, Universidade






1 Comentários:
...A praxe devería ser sim, um ritual de integração do aluno....
Ou tavez uma cerimónia de integração. Há tantas incógnitas na cabeça dos caloiros que os veteranos poderiam ajudar a esclarecer. Em que se diferenciam as aulas do secundário do superior. Que novas liberdades e correspondentes responsabilidades. As cadeiras introdutórias são desenvolvimentos os reestruturações de conhecimentos já abordados no fim do secundário? Quais as melhores soluções para resolver o problema de mudança de residência.
Subscrevo o post na íntegra, e saúdo o debate público proporcionado pelo Autor estudante.
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